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Caminhos de uma jovem advogada

Finalizam-se pouco mais de 06 meses de registro na classe da Ordem dos Advogados do Brasil e o "título" de uma jovem advogada criminalista.

 E as primeiras impressões? Ah vamos lá.

 As discussões sobre o envolvimento feminino na carreira da advocacia, bem como o empoderamento das mulheres na advocacia têm sido temas cada vez mais abordados pela classe. A advocacia  criminal, para Jovens Advogadas como eu, está longe de ser um ambiente como àqueles idealizados nos tempos de faculdade.

 Ouvi certa vez de uma cliente que o fato de eu ser mulher e possuir apenas 24 anos não me tornava capaz para atuar num caso criminal onde seu genitor era o réu. A justificativa que, vem carregada de preconceitos, se tornam piores quando vem de uma mulher.

 Não raras as vezes que na rotina forense, seja na lida com serventuários da justiça, no sistema prisional, nas Delegacias de Polícia ou com Juízes, Defensores Públicos, Promotores, e sobretudo com colegas Advogados, sempre acreditam que estão tratando com a estagiária ou a familiar do réu. Dificilmente pressupõem que, no caso, estão lidando com a advogada do réu. Não que ser advogado nos torna mais que alguma coisa, mas o fato é que na advocacia criminal o espaço conferido a nós, Jovens Advogadas, quase não existe.

 E aqui, tampouco importa a sua formação, a sua qualificação, os seus êxitos, a sua experiência, a sua precoce aprovação no Exame de Ordem, os seus objetivos, o seu zelo. No final das contas, o que te define é seu gênero e sua idade.

 Não obstante os percalços do caminho, precisamos todos os dias, afirmar a nossa posição enquanto advogada, que a nossa competência não está relacionada ao fato de sermos mulheres, mas que somos tão capazes quanto os outros.

 Letícia Melo, 06 de setembro de 2017.